Terça-feira, 27 de Março de 2007
21. Porque não é utilizada uma base aérea ou um aeródromo secundário como complemento à Portela?
Todas as razões aduzidas nas respostas anteriores contra a operação simultânea de 2 aeroportos (nomeadamente dimensão da base de tráfego, custos de exploração, espaço aéreo, dificuldade de distribuição de tráfegos) desaconselham tal possibilidade.
Analisemos contudo as infra-estruturas existentes, nesta perspectiva e, em particular, na óptica de viabilidade de um aeroporto vocacionado para tráfegos ponto a ponto, com características de serviço próprias, até à abertura do novo aeroporto.
Essas infra-estruturas são, nas proximidades de Lisboa, as bases militares de Alverca, Sintra e Montijo, e o aeródromo municipal de Cascais (Tires).
Sintra e Tires, para além das respectivas operações interferirem, em matéria de controlo de tráfego aéreo, com as operações do aeroporto da Portela (não acrescentando eficazmente capacidade àquele aeroporto), não estão preparados para receber aeronaves da dimensão que predomina em Lisboa e da que é utilizada pelos serviços "low cost" e "charter". Só poderão servir para retirar aeronaves de pequena dimensão da Portela, o que já ocorre e tenderá a aumentar, no caso de Tires.
Alverca dispõe de uma pista única (orientação 04-22), com 2500 metros, e alberga as instalações das OGMA. A sua utilização por tráfego civil, em aeronaves de médio porte, implicaria no mínimo a construção de uma plataforma de estacionamento adequada às aeronaves em causa, e de uma aerogare de passageiros (com aquisição de terrenos adicionais), bem como beneficiações em edifícios existentes, e aquisição de equipamentos de aproximação por instrumentos.
Do ponto de vista da navegação aérea, existe interferência com a utilização simultânea de qualquer das pistas do aeroporto da Portela. Não obstante a pista ser quase paralela à pista da Portela, a situação relativa de ambas torna o acréscimo de capacidade sobre a operação exclusiva da Portela praticamente nulo.
A base aérea do Montijo dispõe de 2 pistas cruzadas: 08-26, com 2440 metros e 01-19, com 2147 metros, e é utilizada em operações militares. A sua utilização por tráfego civil, em aeronaves de médio porte, implicaria uma verdadeira reconstrução das pistas e caminhos de circulação e a construção de uma plataforma de estacionamento adequada às aeronaves em causa, e de uma aerogare de passageiros (ambos em localização eventualmente pouco favorável ao tipo de rotação rápida exigido pelas operações "low-cost"). A utilização da pista mais extensa interfere com as operações na Portela, e com a carreira de tiro de Alcochete. A pista mais curta é susceptível apenas de uma pequena extensão sem que seja necessário reclamar terrenos ao estuário do Tejo.
Quer em Alverca quer no Montijo existem significativas condicionantes de ordem ambiental relativas à operação de aeronaves bem como a uma eventual expansão da infra-estrutura.
Convém ainda esclarecer que, para além da infra-estrutura propriamente dita, os equipamentos e meios humanos legalmente exigidos para servir o tráfego aéreo civil com segurança são diversos dos requisitos das operações militares. E que, mesmo nos aeródromos civis, esses requisitos variam em função do tipo de aeronave utilizada e do tipo de voo (internacional ou doméstico).
Ou seja, a todos os custos citados acrescem custos muito significativos em equipamentos
(por exemplo, rádio-ajudas, apoio às aeronaves na placa, carregamento das aeronaves, rastreio de passageiros e bagagens, tratamento de bagagens nos terminais, etc) e pessoal (assistência a passageiros, bombeiros e socorros, segurança, operações, etc), com dotações mínimas obrigatórias mesmo que o número de voos ou passageiros seja irrisório. Em conclusão, a utilização de outra infra-estrutura vizinha, conjuntamente com o aeroporto da Portela, pouca capacidade adicional criará relativamente à utilização exclusiva do actual aeroporto (em certos casos não acrescentará nenhuma), envolve sobrecustos significativos relativamente à operação concentrada na Portela, e tenderá a não sustentar, de forma economicamente viável, condições de utilização (custo por voo) que incentivem a transferência de serviços para essa outra infra-estrutura.

publicado por ota às 16:51 | link do post | comentar | adicionar aos favoritos

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